Esses tempos de barba são legais. Menos frio e menos trabalho (se barbear todo dia é um saco!). Mas é a segunda vez que ficar de barba vem depois de uma perda. Tirei a barba quando percebi que não era mais a hora de lamentar e cavar um buraco cada vez mais fundo para longe de quem eu amo (e de quem eu amava). Dessa vez também. Mas ainda sim, de barba. Já percebi a algum tempo que a barba acabou, digo, o luto. E ela persiste.
Outra coisa é meu quarto. Nunca fui o mais organizado – pelo contrário. Minha mãe sempre ameaçou jogar a bagunça toda pela janela porque ela nem conseguia entrar no meu quarto (não conseguia porque não era fisicamente viável mesmo). Com EMB, UnB, Nups e tudo que a vida acadêmica traz, o quarto ficava mais tempo arrumado, justamente porque eu não estava nele. Comecei então a conseguir mantê-lo limpo e arrumado, mesmo fazendo de cabide a cadeira do computador e o puff do chão (tá, eu tenho um puff no chão, que é bem confortável e nada metrossexual!).
Mas o que barba e quarto bagunçado têm em comum? Não só os behavioristas diriam que “a barba é algo que te faz manter as pessoas afastadas” e “a desorganização mostra algum desarranjo em alguma parcela da sua vida”. É mais sutil do que perceber aquele cachorro condicionado babando pela comida apenas ao ouvir o barulho do sino (sabe, né?). De certa forma, em algum lugar se manifesta a angústia, ansiedade, nervosismo que deixam a baixa-estima do rapaz lááá no alto! (Nossa, como eu sou engraçado, ai ai.). E nada de se livrar das coisas que reproduzem esses sentimentos que falei.
Eu vi um site que enumerava os “sintomas da desorganização crônica”. Que seriam
· Acúmulo de grandes quantidades de objetos, documentos, papéis ou outras posses além da necessidade ou prazer aparente.
· Dificuldade em se separar das coisas.
· Ter uma vasta gama de interesses e muitos projetos não finalizados.
· Necessidade de “dicas” visuais para se lembrar do que fazer.
· Tendência a se distrair facilmente ou perder a concentração.
Ficar lendo essas coisas é igual ter aula de “psicologia da adolescência” e não achar que teve sérios transtornos nessa fase da vida, ou seja, você sempre pensa “eu tenho tudo isso aí...me mediquem”.

Então eu olho a minha mesa do computador (foto) e penso em explicações para ela estar nessa situação. Um mouse quebrado e teclado apoiado com tampa de bic não são minha culpa. Prato, copo, xícara, caneca e o saco de batata-frita também estão aí por ter que trabalhar em casa (vamos movimentar o mundo do Capital, ora bolas!) e não ter tempo de comer direito (Aham). Cd’s porque sem música não dá para trabalhar. Viu, eu tenho explicação para toda a bagunça. Toda não, pra esse copo do RBD não tenho como me explicar... =)
Mas chega de explicações “estímulo-resposta”, já tá na hora de arrumar o quarto. Quanto a barba, não vou fazer ainda não. =}