sábado, 31 de outubro de 2009

Jogo da forca: H I P O C __ __ __ __ __ !


Abre aspas.
Aluna com roupa curta provoca tumulto em universidade e vídeo cai na web
Vídeo mostra alunos xingando a garota na Uniban de São Bernardo.
Segundo a PM, ela foi à aula “com roupas inapropriadas”.
Fecha aspas.

O problema todo é a forma que isso repercute. De um lado os defensores da moral e bons costumes. Do outro, os que estão do lado do (já famigerado) direito a liberdade(s).

O primeiro grupo argumenta que existem regras sociais de conduta e etiqueta – entendida aqui como microéticas do dia-a-dia – que devem ser seguidas. Dessa forma, a aluna feriu esse código de conduta moral, causando “histeria nos outros alunos”, de acordo com a direção da faculdade (e ao que parece, não se manifestou ainda).

O segundo grupo defende a liberdade que cada um deve ter com o próprio corpo e isso não pode ser questionado, afinal, um dos direitos mais valorizados hoje em dia é o da liberdade.

O engraçado é ver como os argumentos transitam de um lado a outro. Pessoas que são contra o primeiro grupo dizem que eles estão errados, pois “o que é bonito é para se mostrar”. Ou ainda, essa faculdade é gerenciada por homossexuais, afinal, que mal tem uma “gostosa de vestido curto a passear pela universidade?”, como disseram alguns colegas da referida aluna.

Isso tudo só mostra a total falta de percepção das pessoas em relação a coisas simples, que deveriam estar na égide de toda discussão como essa: respeito, por exemplo. Veio à tona toda a homofobia, sexismo, falso-moralismo e hipocrisia dos que se aventuraram a discutir isso sem compreender que, na verdade, não estamos falando só do direito a usar essa ou aquela roupa. Vai além disso.

Quer dizer então que a principal razão para deixar a menina usar “vestido curto demais” é propiciar um deleite aos olhos dos meninos machistas e, também, servir de exemplo para aquelas que não se vestem assim?

Isto me lembrou um casal, vizinhos meus, que estavam esperando o primeiro filho. A futura mamãe dizia, aos risos do marido, que se o filho fosse homem, iria pegar todas. Mas se fosse menina, não iria dar pra ninguém.

Mas e ai, Boris, o que acha disso tudo?



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ganhamo, galhiera!!


Hoje foi anunciada a “vitória” do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Depois do Pan 2007 e a Copa do Mundo de Futebol em 2014, faltava apenas isso para o país entrar de vez na “rota esportiva mundial”.

Galera no Pôr-do-sol comemorando a vitória do Rio

Pelo que li nas entrelinhas desse processo todo, o Brasil vem ganhando espaço para sediar esses eventos internacionais porque o mundo tem se comovido com a situação do terceiro mundo (sic). Esses eventos sempre tiveram o histórico de sedes na Ásia ou Europa (mais nesse segundo continente), mas de uns tempos para cá isso tem mudado (vide África do Sul 2010)... O argumento central é: eventos dessa amplitude trazem benefícios permanentes ao país/cidade que os sediam que vão além do período da realização dos jogos. Mas é isso mesmo que acontece?

Vejamos o caso do Pan 2007 no Rio de Janeiro. Não quero colocar dados estatísticos aqui, mas esse Pan deixou um legado apoteótico de tranqueiras na cidade. Muitos investimentos públicos, espaços construídos com recursos federais e estatais que hoje estão abandonados, além de despesas diversas que deixaram um déficit maior nas contas do Estado que antes de 2007. Mas o faturamento foi maior, como pode? Lógico, alguém se deu muito bem nessa história. E não foi a população do Rio.

2014 a Copa será no Brasil. Arruda já reformou o Bezerrão, gastou uns R$10.000.000,00 para um estádio que não vai receber nenhum jogo durante a Copa, além de vários outros investimentos que, ainda sob o argumento de gerar infraestrutura permanente para a população, quase chegam à esfera do bilhão (de dólares, claro).

Se em 2007 sediamos um evento que nem é considerado de elite por muitos dos atletas de alto desempenho - os EUA e outros países fortes em diversas modalidades como atletismo, natação e jogos de equipe mandaram atletas amadores ou de categorias juvenis -, mas em 2016 TODO mundo vai querer participar. Os olhos estarão no Rio de Janeiro.

Resta a esperança de que os altos investimentos retornem para a população, como pregou a bandeira da candidatura brasileira, e que momentos de paz não se restrinjam às 3 semanas de realização dos jogos.

Mas essa mesma esperança se mistura a um conformismo estranho, que pensa: “ah, podem roubar a vontade, pelo menos não vamos morrer de bala perdida no Rio durante 3 semanas.”

Já que minha torcida contra a vitória do Rio 2016 não deu certo, vamos agora ficar de olho no que pode, de fato, representar ao país receber Copa do Mundo e Olimpíadas. Só vai ser difícil explicar que ter Olimpíadas no Brasil vai além de só torcer para o César Cielo ganhar medalha de ouro.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Qual é a sua parte?

Tempo bom era aquele em que íamos ao cinema sem ter que entrar em um shopping Center. Cine karin era bom demais! Hoje temos que ir a shopping para ver filmes na grande tela. Ou quando tem festival no Cine Brasília.

Esses dias eu fui ver Comandos em Ação. Parece exagerado, a princípio, mas era tudo que tinha na cabeça dos meninos quando ganhavam um boneco daqueles: ele podia correr mais rápido que uma Ferrari, voar, ir fora da órbita da terra, nadar, atirar e pegar uma mina bonita. E tudo ao mesmo tempo! Típico filme nostálgico para meninos.

Mas na saída do cinema vi um cartaz, que dizia: “29 de agosto. Faça sua parte. Mc Dia Feliz!”. Então oquei. Nesse dia, vinteenovedeagostodedoismilenove, criancinhas com alguma doença grave, com deficiência, sem casa, com fome e etc, etc e etc vão ser FELIZES porque VOCÊ comeu um sanduíche que é um amontoado de animais triturados e moldados em um bife redondo...

Então quer dizer que os outros 364 dias do ano são infelizes. Motivos? Vários. Um deles é: crianças estão morrendo de fome porque alguém quer comer carne. E uma razão para haver fome é a existência do cultivo de soja e pastos para alimentar gado. Logo, a área usada para a indústria da carne, que não alcança todo mundo, obviamente, poderia ser usada para cultivo vegetal que poderia alimentar essas pessoas que passam fome. Dentre elas, essas crianças ai que você “ajuda” ao comer o tal hambúrguer no dia 29 de agosto.



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Geração mortilenta.

Fico imaginando como era a geração saúde há 20 anos. Penso em um comercial de TV com aqueles caras com shortinhos curtos correndo com uma Polaroid no pescoço, umas minas nadando com maiô grandão... Há 10 anos começou a onda das academias. Academia de musculação, academia de dança, academia de artes marciais, academia brasileira de letras (repeti a palavra ‘academia’ tantas vezes só pra fazer essa piada. Que coisa...). Tem academia para tudo!

E hoje, qual o mote da geração saúde? Pedir pizza de calabresa, sobremesa com calda de chocolate e uma coca light?! Pior quando vêem com o lance de “agora só comemos frango grelhado e boi orgânico...”

Até nos discursos que tentam trazer a saúde embutida, ainda que nitidamente de forma contraditória, há a promoção da não-saúde. Alguém com consciência na hora de escolher o que comer ou vestir é altamente nocivo ao sistema que está aí. Saúde gera menos grana que a doença; é por isso que aquela galera de academia adere à coca light no jantar podrão como forma de “evitar calorias” e não pensa em nada além de esculpir o corpo e tê-lo como marionete do fetiche.

Isso é mais observável quando se pensa que a não-saúde é vendida para todos. E todas (!). Alguém que está acima do peso é visto como prato cheio para alimentar a indústria dos fast-foods, planos de saúde, salões de beleza (parece que tem drenagem linfática de 100 legais...) e etc. Mas como ser magro é contraditoriamente uma exigência, você tem que tentar ser esbelto por fora, mas ter hábitos ruins.

Eu acho que a diversidade é sensacional! Que bom que temos gente de tudo quanto é jeito! Mas não se trata de diferença ou igualdade. Trata-se de ter um discurso de diversidade em que ser gordo ou magro não é conseqüência do viver de cada um, mas sim de uma exigência maior que tem um fim no consumo de algo. Se você é gordo e quer emagrecer, vão te vender um remédio qualquer que vai ter deixar magro, mas em alguns anos você terá que fazer um tratamento caro de saúde. É como diria o Chaves, “e assim substantivamente...”.

O lema é: você pode ser o que quiser ser, desde que não seja desse jeito aí. Ah, até pode, desde que não se esqueça de pedir uma coca light.




segunda-feira, 11 de maio de 2009

The Spirit Carries On

Dream Theater - The spirit Carries On

De onde nós viemos?
Porque estamos aqui?
Para onde nós vamos quando morremos?
O que há além
E o que havia antes?
Alguma coisa é certa na vida?

Dizem que a vida é muito curta
O "aqui" e o "agora"
E você só tem uma chance...
Mas poderia haver mais?
Eu vivi antes
Ou isso seria tudo que nós temos?

Eu costumava ter medo da morte.
Eu costumava achar que a morte era o fim.
Mas isso foi antes,
Eu não estou mais assustado
Eu sei que minha alma transcenderá...

Eu posso nunca encontrar todas as respostas
Eu posso nunca entender os porquês.
Eu posso nunca provar
O que eu acredito ser verdade
Mas eu sei que tenho que tentar.

Siga adiante, seja bravo
Não chore no meu túmulo
Porque eu não estou mais aqui
Mas por favor nunca deixe
Suas lembranças de mim desaparecerem.

sábado, 9 de maio de 2009

E agora a culpa é deles?

É interessante como ninguém se pergunta, por exemplo: “por que diabos esses porcos ficaram doentes?” Os noticiários só mostram dados estatísticos, para ilustrar como a população deve temer. E o mais interessante é perceber que só há esse alarde todo porque o mercado da carne ainda dá mais grana do que a produção de Tamiflu... Quando essa gripe estiver controlada e todo mundo voltar a comer carne sem medo, haverá uma margem de segurança, na qual certa porcentagem de doentes será tolerada e, eu diria, até estimulada (vê aí se na farmácia mais próxima ainda tem o Tamiflu para vender...)

Como a que$tão principal não é POR QUE tudo isso começou, obviamente há um esforço enorme para impedir mais prejuí$os. Até agora, pouco mais de 40 pessoas morreram mundialmente, mas até bolsas de valores estão sendo afetadas. Enquanto isso...

E os porcos desenvolvem um vírus mutante que tem traços da gripe suína “original”, a gripe humana e a aviária. Mas eles raramente morrem de gripe suína! Que coisa...


É mesmo, Saramago, quem nos acode?

sábado, 7 de março de 2009

Ah, as mulheres...

Um dia para lembrar. O ano todo para reverenciar, respeitar e amar. Parabéns, mulheres de minha vida!



Março é mesmo um mês especial, né? =)

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