Apropriação do Eu

Dizem que é importante ter um pensamento autônomo e autêntico. Ser alguém que não é apenas uma cópia de quase todo mundo por aí, em especial das “tendências da época”. Apesar disso, as pessoas se parecem cada vez mais; e as que tentam “não apenas parecer, mas ser” acabam por formar um outro grupo, ou grupos, igualmente caricato(s) e repleto(s) de um tipo de tendência, que não deixa de ser ramificação e manifestação da moda.

Para transitar entre as pessoas e seus respectivos grupos, é preciso certo grau de “alteridade comportamental”, que seria adaptar-se ao ambiente e codificá-lo, mas sem se tornar parte dele, necessariamente. Isso é complicado, justamente pela necessidade de fazer vista grossa e se rebaixar à linguagem dominante para poder ser bem sucedido na tentativa de convivência sem ficar o tempo todo “com vontade de ir embora”.

Mas isso tudo é muito trivial. Estamos aí, vivendo com ou sem inserção em grupos específicos. Mas o problema é quando há qualquer tipo de desconforto, seja por simplesmente estar presente, seja por alguma situação que motiva o embaraço. Ficar com vergonha ao dizerem algo direcionado a você, por exemplo. Ou piadas grupais focadas em alguém.

Mas como chegar a um grupo qualquer, com o zíper da calça aberto, ser alvo de qualquer apontamento grupal e não se envergonhar? Ou sair tranquilamente na rua com um tênis de cada cor? Não se trata de tentar ser exótico, ou “o” diferente, simplesmente (isso recai inevitavelmente no argumento primeiro desse texto – você estará participando do “grupo dos exóticos”, o que dá na mesma). Trata-se de não alimentar, com um possível embaraço, nenhum tipo de sentimento ou sensação ruim ao ser sabatinado com algo que é seu, inerente à sua vida e modo de agir ou pensar. Na verdade, não haverá embaraço.

Tem uma música que diz: “seja você, mesmo que seja bizarro”. Mas ser você – e se apropriar de si mesmo – vai além disso. Ser autêntico e ter pensamento autônomo é se apropriar do que você realmente é e, muitas vezes, (re)significar sua luta contra as marés das convenções sociais que tanto envilecem as identidades das pessoas. Pensar em você como um ser único, que já valeu o esforço de uma, não deve ser alguém que sofre ou se deprecia apenas para evitar os remoques de comportamento que tentam fazer conosco todos os dias.

Dessa forma, o diferente não é visto como estranho; o engraçado não é percebido como pândego; o inusitado não se torna alvo de depreciações.

Mas existem os dois extremos: o da apropriação cega e o da inserção, igualmente cega, porém mais confortável que a primeira. Mas se apropriar de si também exige destreza ao lidar com todas as idiossincrasias que compõem todo ser humano. E o mais gratificante é crescer após cada momento de auto-conhecimento. Então cuidado com os extremos e aproprie-se de você!

3 Comments:

  1. Apenas said...
    eduuu,

    vim te visitar aqui.
    =]

    bj, déia.
    Anônimo said...
    =)

    Atualiza.
    PryLisboa6 said...
    Duuu meu anjinho... Estou morrendo de saudade de vc... Fiz meu e-mail no gmail só pra postar um comentário...rsrs... Vc tem Orkut ainda?

    Beijo grande anjo...
    Pri

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