“Quer dizer então que eu levei um tiro porque um safado branco quer matar um outro safado branco que matou o idiota do irmão branco dele?!” (Samuel L. Jackson, em Duro de Matar 3).
Ta chegando, hein? Há alguns meses se anunciou a tal crise econômica. É interessante o parasitismo internacional de países como os Estados Unidos. Sem querer bancar “o” crítico, sem querer apontar nesse cenário a falência desse modelo de produção econômica e sem querer falar “todo mundo já sabia”, apenas me pergunto quais serão as reais conseqüências para o Brasil daqui alguns dias. Ou semanas, quem sabe. Dizem que essa crise mundial não é suficiente para afirmar que o liberalismo faliu. Ora, 700 bilhões de dólares para salvar o capital, vindo do Estado, é um ato contraditório até mesmo para os defensores desse liberalismo aí. O mercado que se regule, não era assim?
Daqui a pouco a gasolina sobe, por exemplo. Aí o aumenta custo dos transportes, o que aumenta o preço final dos alimentos. Isso sendo simplista na análise. Vai muito além disso. Coloca tudo na ponta do lápis no fim do mês... Tenta-se a salvação do capital, o Brasil adota o discurso otimista de que “a crise é deles”. Tá bom.
Ainda não deu em nada, né? Mas enquanto isso, para o trabalhador, é só a crise (...).
Esses dias a Amazônia ganhou muitas páginas de jornal e espaço em veículos eletrônicos de comunicação. “Desmatamento da Amazônia” – culpados são os madeireiros. né? Desmatamento para aumentar os pastos para você consumir o boi que vai pastar nos restos da Amazônia. Você come a Amazônia.
Água. Tem chovido cada vez menos. Ano passado demorou uns três meses além do normal para chover. Mas foi só ligar o ar condicionado do carro que ficou tudo bem, né não? Ou então ir para o clube, tomar mais sorvete ou passar mais fins de semana em Caldas.
O grande problema é que essas questões todas não estão mais subjetivas, nem mesmo para as pessoas que se recusam a (re)pensar sua inserção no planeta. Não só a forma de se alimentar, mas a forma de não pensar que cada ato pode estar contribuindo para esses sintomas de morte lenta que aparecem a cada dia. E olha que nem falei sobre o derretimento das geleiras, desaparecimento de diversas espécies da fauna e flora mundial, fome e morte nos continentes do hemisfério sul... tudo isso porque cada um de nós insiste em não pensar em coisas simples, mas que se negligenciadas continuarão como sintomas de algo (muito) maior e grave.
Enquanto isso, segue o seco.
O segundo comercial da “série” começa com o Amadeu esquematizando de sair com uma mulher. Ela pergunta se eles vão para a balada e ele diz que sim, que era só ver o horário do buzão. Nesse momento, a mulher fica furiosa e diz que não vai para a balada de ônibus e manda o Amadeu passar na Freedom para comprar uma moto e, aí sim, pegar minas, ir pras baladas e etc... Já deu para sacar, né? Sem contar que a mina tem a pele marrom, tipo bronzeada, quadril largo, calça da gang e marquinha de biquíni saindo por cima da calça. Ah, ela tem o cabelo amarelo também. [pele marrom, cabelo amarelo... embranquecimento...
]O terceiro comercial mostra o Amadeu desempregado. Então alguém fala que ele deve ir urgentemente à Freedom, pois “quem tem uma Honda tem emprego.”
Certo, recapitulando: quem tem uma Honda da Freedom não se atrasa e não leva bronca do chefe; terá emprego garantido e; poderá pegar as meninas e sair para as baladas.
O fetiche em ter está impregnado em tudo e é camuflado como justificativa para querer ter cada vez mais. Como alguém pode não querer não se atrasar? Ou não ficar desempregado? Ou ainda, não querer ir para baladas e ficar com as meninas? Querer tudo isso pode ser legítimo, mas não através de necessidades criadas tendo como pano-de-fundo necessidades reais de trabalho, diversão e relacionamentos.
Em que se tornam as pessoas, senão meras marionetes de consumo?
ps.: o link para quem quiser ver a mina do Amadeu no youtube. http://www.youtube.com/watch?v=hinzsJ0ck94
A premissa é simples, mas Wall-E vai muito além disso. Alguns clichês estão lá, é verdade. Mas, diferentemente de Bee Movie – que aborda de forma equivocada a relação humanidade/natureza, camuflando a real expropriação dos animais pelo homem de forma muito simplista -, Wall-E aborda essas questões muito sutilmente, mas que, inevitavelmente, findarão por se concretizar em um futuro não muito distante.
O visual do filme é lindo, a narrativa cativante... é tudo perfeito nesse filme. Só espero que as pessoas consigam interiorizar a mensagem, não apenas entender o filme com mais um simples momento de diversão (cara, por sinal).
O engraçado é que já dá pra observar, no nosso dia-a-dia, o modo de vida retratado no filme. Destruição, alienação, desamor e etc. Se parar pra pensar bem, alguns pais/tios/etc poderiam muito bem já estar aptos para morar em Axion. Ah, e você também.
[introdução simpsons' style] Quando se é criança/adolescente em uma chácara isolada, sem telefone e em pré-internet, acesso às culturas sempre foi meio complicado. O contexto era casa /escola, escola/casa. Cinema, uma vez por semestre. E olhe lá. Teatro, fora de realidade. Então a Tela-Quente me mostrava algo novo, legal e divertido. Karate Kid, Curtindo a Vida Adoidado, dentre outros. Mas em sua maioria, eram filmes hollywodianos sem algo além do que era projetada pela luz da tevê. [/introdução simpsons' style]
Eu lembro que fiquei acordado até de madrugada e vi “O Iluminado”. Tive pesadelos e fiquei pensando nesse filme por muito tempo. Quando cresci, assisti novamente com outro olhar, o que reiterou minha admiração pelo Jack Nicholson – meu ator preferido (pouco à frente do Jim Carrey =).
Jack já ta com uns 70 anos. Fez uns 60 filmes. Dentre eles Batman, interpretando o memorável Coringa. Personagem que ganhou nova cara com a atuação do Heath Ledger. Que morreu, aos 28 anos, em janeiro, deixando uma filha de 2 anos.
Ele era, com certeza, um dos melhores atores da nova geração e eu sempre pensei nele como o substituto do Jack. Pelo carisma, atuação e todo o resto que se vê na tevê e internet. O cara era sensacional. Acredito que esse último filme – de um cara que aparentava se dedicar muito ao trabalho – será histórico. Não sei se será o melhor filme da década, nem do ano, mas vai ser de arrepiar.
Essa vida é muito arteira. A arte a imita? Quem imita quem? Hoje só sei que ambas perdem, pois Heath Ledger vai fazer falta.
Estava eu a caminhar pelo Setor Comercial Sul em busca de informações que me ajudassem a chegar ao restaurante “Árabe do Brasil”. Aquilo ali é meio confuso para quem não está acostumado. Pergunto para a moça da quitanda, o cara do “vale-tique”, a senhora que vendia cocadas e também a um grupo de homens sentados na calçada.
É interessante a existência de uma cordialidade, por vezes exagerada, das pessoas ao dar informações. Várias histórias de vida, muitas delas sofridas e de lutas (claro, os engravatados do SCS não passam seu horário de almoço com a “ralé”) estão por trás das informações dadas. Então você pergunta qualquer coisa, e todos se engajam muito para te responder. Mil direções que, às vezes, só atrapalham e te confundem mais! Se não sabem, as especulações e possíveis direções para o endereço desejado são ainda maiores! Aí você está com pressa e ainda se irrita com tanta informação. É sempre bom valorizar cordialidades em tempos de rudezas e esquecimentos de gentilezas. E ainda, é bom rir da situação que você se depara apenas por perguntar. Você tem que agradecer várias vezes, pois sempre tem mais alguma informação depois que você diz “obrigado”! Mas tudo bem, muitos “obrigados” para singelas cordialidades”!
Tentei juntar as informações, andei um pouco e não achei o endereço. Então tentei conversar com alguns policiais miliares que estavam parados perto de uma casa lotérica. Depois de um “Oi gente, boa tarde”, fui fuzilado (ó o trocadilho) por olhares que pareciam querer dizer: “como ousa dirigir a palavra para os legítimos representantes da lei?!”. Após 5 longos segundos, um dos três fardados me responde com um breve “Boa tarde, cidadão”. Pergunto sobre o supracitado restaurante, e não ouço NENHUMA resposta. Continuam a ouvir as palavras que saem do rádio da corporação. Insisto, “é difícil achar as coisas aqui, ainda bem que conhecem [nem “vocês” nem “senhores” para referir-me a eles] o local para me ajudarem...”. Passados mais uns 10 segundos, o soldado Teles [nome real para não preservar a identidade do dito cujo] olha em minha direção e diz: “sobe depois daquele prédio [apontando] e vira à direita [gesticulando para a esquerda]”. Rapidamente voltaram a escutar os sons do rádio e eu já novamente não existia. Segui à esquerda e, de fato, ele não sabia o que dizia, mas sua mão sim, ao menos. Cheguei ao restaurante, por fim.
É impressionante como alguém de farda impõe medo às pessoas. Ao ver um policial fardado, a sensação é de se afastar, de evitar qualquer tipo de contato. E essa postura só intimida o trabalhador, o pai e a mãe de família, a criança que só tem a rua como casa.
Em um mesmo local, numa mesma hora, vivência de cordialidade sincera imersa no medo da hostilidade gratuita de quem, teoricamente, deveria zelar pela segurança e proteção de todos. Segurança essa que está nas mãos de um profissional que nem sabe ao certo o que é ser cidadão, nem sabe o porquê de estar ali.
Mas fica a felicidade em afirmar: que bom que ainda não é cada um por si!
Ps.: Imagem aleatória. XD
O tempo não é o mesmo para todos. O meu é lento. Um mês, dois meses, é pouco. Dois anos é um tempo que pode ser curto ou longo. Vai depender dos objetivos traçados.Mas nem tudo chega ao mesmo tempo. Um beijo de amor, um resultado de uma prova, a conquista de um trabalho, o sorrir dos amigos e o orgulho da mãe. A cura, a glória e a sabedoria no momento de dor. Tudo isso pode (e não vai) chegar a um tempo só. Sempre vai haver a sensação de “qual o próximo passo?”.
O que há de se fazer é agradecer pelo hoje. Hoje eu sou um homem melhor. Hoje eu fui melhor como filho e como amigo. Hoje eu pude rir e comemorar as recentes conquistas. Hoje eu pude pensar em como me cuidar melhor, porque é só assim que estarei forte para enfrentar as tormentas da vida.
Há mais a se fazer, claro. A batalha é dura e está longe de acabar. Mas hoje e sempre lhe sou grato, Príncipe da Luz.
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